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Artigos do Tião
Bola ecológica: a grande jogada do Acre PDF Imprimir E-mail
07-Out-2007

Flaxinaider
Bola ecológica
Estádio novo, expectativa de jogos da Copa de 2014, o time do Rio Branco embalado no rumo da Segunda Divisão, as notícias são boas no mundo da bola. E, agora, a própria bola é a notícia. E entra em campo hoje no jogo do Rio Branco no estádio Arena da Floresta, onde o pontapé inicial vai ser dado numa ‘bola ecológica’, mais uma invenção acreana e mais um trunfo para quem aposta na floresta em pé. Claro, a bola é experimental e logo será substituída por uma oficial para o jogo prosseguir. Mas a bola ecológica é um achado e pelo menos, “não vai ser preciso derrubar mata para criar boi, matar o boi para tirar o couro para fazer a bola”, como disse o artesão e um dos idealizadores da bola ecológica, José Batista Aragão.

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Majestosa seringueira
A bola acabou pegando esse nome porque o couro utilizado é o ’couro ecológico’, que é um pano ao qual se agrega o látex, resultando num produto impermeável, forte, capaz de substituir o couro de boi. Em seu pedaço de terra, às margens do Igarapé Piabão, afluente do rio Iquiry, Aragão produziu o couro para as bolas fabricadas até agora.

Aragão também domina a técnica de produzir artesanalmente a câmara de ar ou ‘bexiga’  que será envolvida  pelo couro, ou seja, poderia fazer a bola completa,  em sua colônia, embora sem as especificações técnicas. No entanto, as bolas são fabricadas em Rio Branco. Do Iquiry, o couro vai para a fábrica de bolas da Unidade de Recuperação Social Francisco de Oliveira Conde onde é recortado em gomos e costurada à mão, agregando uma câmara de ar industrializada. Os finalizadores da bola são reeducandos e cumprem pena na unidade.

A bola viajou mundo, o Papa já ganhou uma de presente, o presidente Lula também levou a sua. Uma bola ecológica foi feita especialmente para a FIFA, assinada por índios, seringueiros, acreanos, enfim, tudo em prol da campanha para trazer jogos da Copa/2014.

Abrahim Farhat (Lhé), um dos idealizadores da bola ecológica, acredita que o caminho mais longo já foi andado e ressalta a importância de se fazer uma bola, agregando valor à extração da seringa, protegendo a natureza e concretizando o sonho de Chico Mendes, de manter a floresta em pé.

Por enquanto é uma ‘bola conceito’, disse o secretário estadual de Turismo e Esportes, Cassiano Marques, que aposta nas experimentações que vêm sendo feitas, para aperfeiçoar a bola. “A bola ainda precisa melhorar a escala de produção, agrupar resistência e qualidade e acertar o peso para poder entrar nos programas oficiais da secretaria”.

 

Aragão: o artista do látex

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Aragão na estrada de seringa
O artesão José Batista Aragão trabalha com seringa há mais de 50 anos. Aprendeu a fazer sapatos de seringa e, nos últimos anos, aflorou um talento todo especial para a fabricação de bichos em miniatura feitos de látex defumado. Jacaré, tatu, paca, seus bichinhos começaram a fazer sucesso e ele foi aperfeiçoando a arte. Ele tem um ponto de venda de sua arte no Parque Chico Mendes. Aragão passa metade do tempo na cidade e outra metade em seu recanto às margens do Iquiry, onde extrai o leite da seringa e fabrica seus bichos. Na pequena comunidade local ele já tem alunos e alunas. Uma delas é Maria Ecilda Nascimento Silva. Ela mora na localidade com a família. Proveniente do rio Muru, em Tarauacá, ela já tinha costume com as lides da floresta, tendo aprendido a encauchar (com caucho mesmo) sacolas. Agora está aprendendo a fazer bonecos de látex e acredita na produção de couro ecológico, como fonte de renda.

 

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Aragão corta

O couro ecológico não é novidade. Os seringueiros já conhecem a técnica desde os primórdios da exploração da seringa e sempre utilizaram sacos impermeabilizados com látex, até para carregar o próprio leite de seringa. As crianças brincavam com bexigas de porco que eram defumadas com látex até formar uma bola que era utilizada nas peladas.

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Aragão sopra a bexiga
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reforçando a bexiga
 

 

 

 

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Maria Ecilda artesã aprendiz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fábrica de bolas e de liberdade

A fábrica de bolas da Unidade penal surgiu em 2000. Ela fabrica bolas de futebol vôlei, basquete, futsal nas categorias adulto e infantil e as redes utilizadas nesses esportes. Grande parte da produção fica no próprio estado. No próximo mês, a Secretaria de Esporte,como informa o secretário Cassiano, vai entregar 22.900 itens produzidos na fábrica para 403 escolas nos 22 municípios do Estado. Dos itens, 18 mil são bolas. Para o Haiti - país em grave crise política - foram enviadas 3.500 bolas, para programas sociais.

A fábrica é resultado da aplicação do programa ‘Pintando a Liberdade’ – feito em convênio entre os governos federal e estadual. O programa cria oportunidades de trabalho para os reeducandos. Isto proporciona que eles possam ajudar financeiramente suas famílias lá fora e ainda contribui para a remissão da pena na proporção de um dia para cada três dias trabalhados. João de Deus é o gerente da fábrica. Querido por seus ‘funcionários’, ele garante: “O importante aqui não é a bola, é recuperar o reeducando”. Ele explicou que todos os que passam pela fábrica, quando adquirem a liberdade não retornam. No final do ano passado, a fábrica quase teve um ‘problema´’ de falta de funcionários pois todos que trabalhavam lá ganharam a liberdade. E nos próximos seis meses todos os que atualmente estão trabalhando também ganharão liberdade abrindo novas vagas na estrutura central da fábrica.

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Fábrica de bolas
Os reeducandos que trabalham na fábrica demonstram satisfação em poderem trabalhar, ganhar salário e ainda remir a pena. Gerci Mendes de Oliveira é um deles. Disse que passou três meses na cela, mas agora está muito melhor trabalhando em regime semi-aberto e já aguardando a liberdade para daqui a seis meses. Ela considera que a possibilidade de trabalhara é o maior aliado na recuperação de um apenado. Para ele, o governo deveria investir para criar oportunidades para o máximo possível dos detentos.

Segundo o gerente de Trabalhos e Negócios da Penal, Cássio Silveira Franco, o objetivo é ampliar o número de detentos beneficiados com o trabalho. Cerca de 900 detentos já participaram de alguma forma do programa de remissão de pena. Só na fabricação de bolas trabalham mais de 300 detentos sendo que mais de 200 costurando bolas em suas celas. No próximo ano entra em funcionamento uma malharia que vai produzir inicialmente 68 mil camisetas e abrirá novas vagas de trabalho.

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visita à fábrica de bolas
 

Texto e fotos: Flaviano Schneider 

 


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  Comentários (2)
Comentários em RSS
 1 Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 31-03-2009 17:37
Estou produzindo um trabalho sobre alternativas para diminuir o impacto que o couro causa na natureza. Esse artigo será um exemplo muito importante para a elaboração do meu trabalho. Gostaria, se possível, informações sobre o custo da produção dessa bola. 
Desde já agradeço.
 2 Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 28-02-2008 20:08
vcs estão viajando,pois a bola de material sintetico foi lançada em 1994 na copa dos eua. hoje todas as fabricas de bola do planeta usa material sintetico, como pvc e pu. a bola de couro de boi é coisa do passado. ha mais de 15 anos nao se fabrica bola de couro.

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