Uma noite toda especial que fica marcada na memória cultural do Acre
O lançamento do livro ‘Heróis que Salvam’ de autoria do senador Tião Viana, ontem à noite, no Teatro Hélio Melo, significou o clímax de uma bela página na história da cultura acreana surgida da idéia de fazer o levantamento dessa história, quase sumida, baseada principalmente em entrevistas e em relatos de pessoas que conviveram com esses médicos, heróis salvadores. A história é de gente humilde, apaixonada pela profissão, dedicada aos estudos, capaz de correr grandes riscos para salvar uma vida, capaz de esforços incríveis, movida pelo amor à humanidade. Ao todo, 15 pessoas convidadas para leitura prévia do livro fizeram comentários abordando aspectos técnicos, literários, mas especialmente relembrando os casos envolvendo cada um dos personagens e suas reações ante a batalha da luta para salvar vidas.
O senador Tião Viana recebeu diversas manifestações de carinho por parte dos comentaristas, todos enaltecendo a importância de resgatar a história desses heróis quase anônimos, ‘que salvam’, diferentemente dos heróis comuns que ‘matam’. No entanto, as palavras de estimulo não se restringiram ao livro. Todo o tempo foi relembrada a trajetória de Tião Viana, o médico, o político, o educador e sua importância na evolução da medicina e do ensino da medicina no estado do Acre e na estruturação dos serviços de saúde.
O irmão, ex-governador Jorge Viana, fez um relato da intimidade da vida em família, destacando o momento em que teve que convencer o pai e a mãe de que o médico Tião Viana, então em promissora carreira médica, deveria entrar para a política e ser o candidato ao governo pelo PT em 1994.
Fizeram comentários o desembargador Arquilau de Castro Melo, médico Osvaldo Leal, secretário de Saúde do Acre (enviou o texto, lido por Eduardo Marques), superintendente da Polícia Federal no Acre, Luiz Cravo Dória, publicitário e escritor Gilberto Braga, superintendente da Fundhacre, médico Thor Dantas, historiadora e escritora Fátima Almeida, doutor José Tavares Neto, professor da UFBA, deputado federal Nilson Mourão, jornalista e escritor Silvio Martinello, escritor e professor, Josué Fernandes, médica, presidente do CRM-AC, Dilza Teresinha Ambrós Ribeiro, pastor Agostinho Ribeiro, Jornalista Washington Aquino, escritora Robélia Fernandes, médico Labib Murad.
Ao final, o senador autografou dezenas de exemplares. Estiveram presentes ao evento o pai do senador, Wildy Viana, o vice-governador César Messias e família, o embaixador da Coréia do Sul no Brasil, médico Amsterdam Sandres, familiares e amigos dos médicos homenageados, escritores, etc.
O senador Tião Viana encerrou as falas. Disse:
"Procuramos prestar uma verdadeira homenagem a essas pessoas que, no início da história do Acre, deram suas vidas em defesa da saúde. Aqui estão homens e mulheres que trabalharam durante mais de 50 anos sem que o Brasil tivesse, por exemplo, um Ministério da Saúde. O Brasil não dispunha nem antibiótico. De todos eles, uma história que me marca muito, lembrada sempre por meu pai, é a do doutor Augusto Hidalgo de Lima, um exemplo de médico humanitário. Ele morava ali no Segundo Distrito, onde mantinha um quarto só para receber os ribeirinhos que viajavam em busca de tratamento médico e tinham dificuldade para chegar até ao Hospital de Base, que ficava realmente muito distante para quem tinha que caminhar a pé. Ele fazia deste quarto em sua casa uma espécie de enfermaria, cuidando, pacientemente, dos mais diversos tipos de doenças numa época. Fizemos questão também de registrar a história do médico Francisco Mangabeira, mais conhecido como autor da letra do Hino Acreano. Este grande personagem, que morreu aos 25 anos quando retornava à Bahia, sua terra natal após lutar ao lado de Plácido de Castro como secretário da Revolução Acreana, é um exemplo de coragem e de alguém que botava sentimento em tudo o que fazia, seja como médico, como poeta ou como guerrilheiro. Imaginemos que, antes de vir para o Acre, ele também esteve na Guerra de Canudos. Consta que, em meio à batalha, quando um de seus aliados caia ferido, ele se punha de pé, no meio do tiroteio, para ir buscar o ferido até sua trincheira. Mas, na verdade, outros não menos heróis não estão no livro. Infelizmente, não caberia colocar todos. Mas isso aqui é o início. Creio que outros segmentos vão produzir as histórias das profissões no Acre. O professor Josué Fernandes, por exemplo, já me disse que vai escrever suas memórias, as Memórias de um Garçom. Creio que essas histórias também podem ser contadas em relação à magistratura – e a doutora Eva Evangelista, aqui presente, é uma boa testemunha desta história, a dos engenheiros, enfim, a de todos que ajudaram e ainda ajudam a construir a belíssima história acreana. Como não poderíamos homenageara todos, colocamos no papel aquilo que foi possível sistematizar. Mas aqueles que não estão no livro, estão em nossos corações".
Assessoria de Gabinete do senador Tião Viana (Flaviano Schneider)