Desafio: oficina ortopédica adapta cadeira motorizada para tetraplégico
11-Jul-2008
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A mãe, Maria, e Eliezer levam Carlos ao primeiro treino
Muitas das cadeiras de rodas que vêm sendo entregues através do 'Programa de Atendimento à Pessoa com Deficiência' precisam ser adaptadas ao tipo físico dos pacientes. Para isso, a Secretaria de Saúde conta com um dedicado corpo de técnicos da Oficina Ortopédica que já fizeram adaptações em muitas das cadeiras, especialmente naquelas destinadas a crianças. O maior desafio até agora é conseguir adaptar uma cadeira motorizada para Carlos Linhares de Freitas, de 22 anos. Há oito anos, Carlos estava tomando banho no rio Acre e decidiu dar um salto na água, no estilo 'facada'. Bateu a cabeça no fundo e como conseqüência ficou tetraplégico, tendo perdido totalmente o movimento das pernas e braços, tendo mantido apenas o movimento da cabeça.
Eliezer procura a melhor posição para o painel
A mãe do rapaz, Maria Cassimiro Linhares, conta que o filho já ficou internado por duas vezes no hospital Sarah Kubitschek onde experimentou uma cadeira especialmente adaptada para tetraplégicos. Dona Maria levou o problema e a notícia da possibilidade de solução aos agentes do programa e o técnico Eliezer Vieira da Silva se dispôs a adaptar uma cadeira motorizada para Carlos. Eliezer trabalha há seis anos na oficina ortopédica e a maior parte das modificações das cadeiras passam por suas mãos. Inicialmente, ele teve que adaptar um encosto na cadeira para ajudar a firmar a cabeça de Carlos. A parte mais difícil, no entanto, está sendo a adaptação do painel de comando da cadeira. O painel que fica originalmente colocado ao alcance da mão direita do paciente teve que ser remanejado para posicionar-se debaixo do queixo de modo que a cadeira possa ser movimentada para frente, para trás e para os lados com movimentos da cabeça.
A cadeira e as adaptações
Ontem, uma viatura da Secretaria de Saúde foi até a casa de Carlos, no bairro Montanhês, e o levou até a oficina ortopédica testar as adaptações feitas na cadeira a ele destinada pelo programa. O técnico Eliezer pôde observar a melhor altura onde instalar o comando da cadeira enquanto Carlos, que testou pela primeira vez o equipamento, demonstrava sua alegria em fazer os primeiros movimentos em sua cadeira. Maria, a mãe, olhava tudo com olhos de quem tem muita esperança de ver o filho melhorar a qualidade de vida. Tiradas as medidas, Carlos aguarda, agora, as modificações para iniciar o treinamento com a sua cadeira.
Joana dos Santos
A diretora da Oficina Ortopédica, Joana Silvestre dos Santos, elogiou os técnicos da oficina ortopédica por sua dedicação e o senador Tião Viana que com sua emenda de R$ 3 milhões originou o programa que está trazendo "dignidade à vida das pessoas com deficiência física". Para ela, o trabalho que executa é muito gratificante e a satisfação dos pacientes é a melhor recompensa. Disse ainda que o programa de atendimento aos deficientes veio em boa hora, "basta pensar em quantos anos muitos deles viveram sem o conforto de ter uma locomoção. O que consola é saber que daqui para frente terão pelo restante de suas vidas o prazer de poderem ir e vir" – disse.
Oficina ortopédica
José Rubernei Nogueira
A oficina ortopédica de Rio Branco, que é parte da estrutura da Secretaria Estadual de Saúde, atende pacientes de muitos municípios, especialmente do vale do Acre, produzindo equipamentos de órtese e prótese, desde sapatos adaptados aos pés dos pacientes, pernas mecânicas convencionais e até modelos sofisticados de pernas mecânicas denominadas endoesqueléticas. Além da fabricação de equipamentos, a oficina oferece atendimento médico duas vezes por semana e sessões de fisioterapia todos os dias pela manhã.
Segundo informação do diretor-administrativo do órgão e técnico em órtese e prótese, José Rubernei Nogueira, em 2007 foram produzidos e entregues 1.768 equipamentos de órtese, prótese e meios auxiliares de produção; foram feitas 1.690 consultas especializadas (ortopedia) e 2.730 sessões de fisioterapia, resultando num total de 6.188 procedimentos, alcançando a média de 515,6 por mês.
Neste ano o órgão aumentou os procedimentos, já tendo alcançado o total de 4.418, com uma média de 736,3 por mês. Dentre eles foram produzidos 1.055 equipamentos de órtese e prótese, realizadas 1.104 consultas e 2.270 sessões de fisioterapia.
Convênio
O Programa de Atendimento à Pessoa com Deficiência foi criado a partir de um convênio entre o Governo do Estado e o Ministério da Saúde, com recursos oriundos do Orçamento Geral da União (OGU) de 2006, no valor de R$ 3 milhões, oriundos de uma emenda do senador Tião Viana. Os recursos permitiram também a aquisição de equipamentos para seis centros de fisioterapia que estão sendo instalados nos seis hospitais regionais do Estado. A estimativa da Secretaria de Saúde é que 100% dos deficientes do estado sejam atendidos pelo programa.
Assessoria de gabinete do senador Tião Viana (Flaviano Schneider)