“As
florestas passam a ser o coração das responsabilidades e das preocupações com o
aquecimento global”. Foi o que destacou o senador Tião Viana (PT-AC) em
entrevista à Rádio CBN direto de Copenhague (Dinamarca), onde se encontra,
junto com o governador Binho Marques e a senadora Marina Silva (PV-AC),
participando da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
(COP-15).
Na entrevista, cuja íntegra segue abaixo, o senador Tião Viana fala de tudo um pouco do que está ocorrendo em Copenhague, refletindo as posições que o Brasil está defendendo no mais importante encontro do planeta sobre o clima, que reúne 192 países de todos os continentes da Terra.
Como está sendo a Conferência de Copenhague?
O que se discute aqui é que, de fato, Copenhague vai abrir as portas de uma nova agenda global. Quioto (protocolo do clima discutido e negociado em Quito, no Japão) foi algo muito importante para o planeta, chamou a responsabilidade, expressou preocupações e exigiu decisões, Copenhague vai exigir muito mais.
Qual a sua expectativa para os resultados da Conferência?
Não há como sair daqui sem falar em economia de baixo carbono e em alta inclusão social. Não se pode mais acreditar como Quioto conseguiu abrir mão de um conceito de responsabilidade com as florestas globais porque não havia política de responsabilidade ambiental de nenhum país para com as florestas tropicais.
O que mudou aqui em relação ao conceito de floresta?
É impossível se negociar em Copenhague sem envolver as florestas do planeta e aí entra o Brasil devido à importância da Amazônia. E junto a isso vem um novo conceito do Brasil em falar de sua agenda permanente, que é a REDD, que significa Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação. Ou seja, as florestas passam a ser o coração das responsabilidades e das preocupações com o aquecimento global.
Os países precisam definir seus compromissos?
A agenda está posta. Os países vão decidir como eles vão fazer as suas propostas dos pactos de compromissos. Por isso é que você viu a inquietação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) falando mais, procurando dividir responsabilidades, assumindo que o Brasil está fazendo a parte dele, mas que outros países têm que deixar de fazer reflexões e por em prática exatamente o que são suas capacidades de se traduzirem em metas os seus compromissos e traduzirem em prazos.
A ministra (Dilma Rousseff) estava defendendo inicialmente a proposta de redução de 50% das emissões de gás carbônico em 2050, mas o Brasil também terá de pagar a sua parte na conta do aquecimento.
O que você diz é a expressão da verdade, mas veja que isso não ocorre só com o Brasil. Hoje, há uma cobrança uniforme dos países para os países. Há poucos dias, o presidente Barack Obama e o presidente da China não tiveram como assumir uma posição de metas causada pela pressão do setor produtivo interno, pelas forças políticas nacionais, que dizem que é preciso aguardar. O Senado americano está dizendo que não vota este ano as metas que o presidente Obama poderia trazer para cá.
E como é essa pressão no Brasil?
O governo brasileiro tem bons resultados na área ambiental, que assumem uma curva de mudança em relação às queimadas. O presidente Lula é vitorioso nesses aspectos, vive também pressões, mas conseguiu se levantar antes dos Estados Unidos e da China, chegando a Copenhage com a proposta pronta, permitindo à ministra Dilma ousar em falar em 80% de redução de desmatamento.
Num primeiro momento sim, mas depois avançou porque o Brasil entende as responsabilidades pela sobrevivência do planeta. Nós não estamos tratando de uma ação qualquer. Estamos tratando de um assunto que reflete a maior encruzilhada, que é para onde vai a civilização. É o que nós estamos vivendo aqui. É tanto que o ministro Carlos Minc disse que não dá para falar em qualquer acordo sem envolver florestas.
A favor do Brasil no fundo de preservação
O senhor é a favor que o governo brasileiro participe do fundo de preservação que se fala na conferência?
Acho que sim. Acho que o governo brasileiro tem que estar completamente inserido com interface com todos os países. O presidente Lula, pelo que representa como líder mundial, tem toda condição de fazer o presidente Obama se tornar mais ousado para chegar aqui com mais determinação, para podermos avançar.
É preciso apressar o combate ao desmatamento da floresta?
O que falei hoje em relação às florestas é como nós vamos tratar as metas e os prazos em relação a elas. A redução das queimadas e do desflorestamento tem ser mais acelerada. Precisamos tratar de prazos e metas e de como nós vamos fazer. Se é a partir de um fundo nacional. Como ficam estados maduros ambientalmente, como é o caso Acre, que é tão bem conduzido, que há 30 anos discute e se prepara para esse momento de metas sustentáveis, que não possa negociar só a partir de um canal federal, mas também com países que têm a maturidade necessária para tratar desses assuntos?
O que o senhor tem a dizer da crítica feita pela senadora Marina Silva, que colocou sob suspeita as metas levadas para Copenhague com a decisão do governo de ter adiado por três anos a fiscalização da regularização ambiental das propriedades?
De fato, a ex-ministra Marina Silva tem muita responsabilidade quando fala isso. Fala pelo bem do Brasil e alertando o governo dos riscos que corre ao ceder ao setor produtivo, que, às vezes, não compreende o momento internacional que nós estamos vivendo, o momento civilizatório que nós estamos vivendo. Então, a ministra Marina diz: olha, não dá para recuar.
O setor produtivo está, então, exagerando na Amazônia?
Qual é o maior problema do Brasil hoje quando se fala em Amazônia? É o problema fundiário. O que quer o setor produtivo tradicional? Quer a legalização do seu passivo ambiental, daquilo que ficou como uma dívida, para dizer que, daqui pra frente, vai assumir inteira responsabilidade com as metas e com o alcance de uma política de preservação ambiental. E isso é pouco para quem defende o meio ambiente, para quem tem a visão de que, a continuar do jeito que está, estará fortemente envolvido com o aquecimento irreversível e trágico. Então, a ex-ministra Marina diz o que a regra científica está dizendo para o mundo inteiro. O governo brasileiro está entre a cruz e a espada de um setor produtivo que quer se legalizar, que quer se proteger, mas, ao mesmo tempo, não quer pagar o preço dos erros do passado. Então, esse meio termo é o que o governo brasileiro está vivendo e é da natureza da política. Agora, o presidente Lula tem tido força para fazer os melhores avanços diante da realidade que temos no país.
Assessoria de Comunicação Gabinete do senador Tião Viana PT/AC (Romerito Aquino)







