
Chico alertava para o clima de tensão no Acre
CARTAS DE CHICO – Parte I
A um colega de Campinas (SP), Chico Mendes alertava para o clima de tensão que antecedeu o assassinato de Wilson Pinheiro.
Até sexta-feira passada, líderes de 193 países do mundo tentavam na Conferência do Clima, em Copenhague, encontrar soluções para problemas ambientais que o sindicalista Chico Mendes já debatia em 1980 no Acre, no Brasil e em todo o planeta, chamando atenção de todos para a importância da preservação da Amazônia, a última grande floresta tropical da Terra.
Chico Mendes falava o que os atuais líderes políticos do Acre, o governador Binho Marques e os senadores Tião Viana (PT-AC) e Marina Silva (PV-AC), traduziam na capital da Dinamarca como a razão do sucesso das políticas públicas que o governo da Frente Popular vem executando no estado há 12 anos baseado nos ideais de sustentabilidade que o sindicalista pregava para a floresta.
“Nós temos uma característica que propicia o desmatamento, mas estamos na lista dos estados conservados. Isso porque o povo do Acre assumiu um modelo de desenvolvimento diferente há mais tempo. Existe uma história de mais de 30 anos, que começou com Wilson Pinheiro, Chico Mendes, com os índios, que iniciaram um modelo de desenvolvimento que na época ninguém entendia. Hoje, temos 88% de floresta conservada”, dizia Binho, na última quinta-feira, em Copenhague.
Mas a vitória dos ideais de Chico Mendes no Acre não foi barata. Custou-lhe a própria vida e a vida de muitos companheiros que, com ele, caminhavam firmes e decididos na floresta para fazerem, muitas vezes, dos próprios corpos escudos para evitar que os dentes afiados das motosserras derrubassem árvores de até 300 anos.
Nas homenagens que o Acre prestará mais uma vez a Chico Mendes nesta terça-feira, 22 de dezembro, data em que ele foi covardemente assassinado há 21 anos em Xapuri, o Página 20 começa a publicar hoje a íntegra de cartas inéditas que o sindicalista acreano escreveu para um companheiro de lutas sindicais que ele conheceu em 1980 em Campinas, no interior de São Paulo.
Trata-se do sindicalista aposentado João Rocha, paulista de ... anos, atual presidente do PT de Caraguatatuba (SP), que conheceu Chico Mendes quando este esteve em Campinas proferindo palestra sobre a sua luta pela floresta a convite das Comunidades Eclesiais de Base, da Diocese do município paulista.
“Chico era visionário. Ele dizia que, se não houvesse resistência dos seringueiros, eles iriam ser tocados da floresta e esta viria abaixo. Com coragem, humildade e altruísmo, ele confessava que corria risco, mas não arredava o pé da luta”, diz Rocha, que enviou cópias das sete cartas que Chico Mendes endereçou a ele, entre 1980 a 1983, para o senador Tião Viana, pedindo que elas fossem publicadas.
Leia, nesta página, a primeira das cartas escritas por Chico em 16 de junho de 1980, quando ele fala da tensão presente no movimento sindical que antecedeu o assassinato, no mês seguinte, em 21 de julho, de Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia.
Na primeira carta, a reação dos seringueiros
Xapuri – Acre, em 16 de junho de 80
Companheiro João, cheguei no Acre no dia 9 do corrente fazendo boa viagem. Ao chegar aqui, entrei logo em ação pois a situação aqui está muito séria. Os seringueiros resolveram dar um basta a tanta ameaças dos grandes fazendeiros, que querem a qualquer custo acabar com nossa floresta.
Neste momento, os trabalhadores organizados em seus sindicatos resolveram defender a qualquer custo a terra que eles ocupam há dezenas de anos e vários conflitos estarão ocorrendo nestes dias em vários lugares por aqui.
O movimento dos trabalhadores está avançando, enquanto isso os fazendeiros – segundo informações – estão comprando metralhadoras para dar combate contra os posseiros. Por outro lado, os posseiros afirmam que a morte de qualquer um companheiro resultará num grande conflito.
Eu, neste momento, estou me preparando para visitar as áreas mais perigosas. Fui aconselhado por alguns companheiros para não entrar nas áreas, mas me sinto na obrigação de estar ao lado daqueles companheiros que lutam por liberdades, embora lhes custem a vida, e preciso ajudá-los em alguma coisa.
A um colega de Campinas (SP), Chico Mendes alertava para o clima de tensão que antecedeu o assassinato de Wilson Pinheiro.
Até sexta-feira passada, líderes de 193 países do mundo tentavam na Conferência do Clima, em Copenhague, encontrar soluções para problemas ambientais que o sindicalista Chico Mendes já debatia em 1980 no Acre, no Brasil e em todo o planeta, chamando atenção de todos para a importância da preservação da Amazônia, a última grande floresta tropical da Terra.
Chico Mendes falava o que os atuais líderes políticos do Acre, o governador Binho Marques e os senadores Tião Viana (PT-AC) e Marina Silva (PV-AC), traduziam na capital da Dinamarca como a razão do sucesso das políticas públicas que o governo da Frente Popular vem executando no estado há 12 anos baseado nos ideais de sustentabilidade que o sindicalista pregava para a floresta.
“Nós temos uma característica que propicia o desmatamento, mas estamos na lista dos estados conservados. Isso porque o povo do Acre assumiu um modelo de desenvolvimento diferente há mais tempo. Existe uma história de mais de 30 anos, que começou com Wilson Pinheiro, Chico Mendes, com os índios, que iniciaram um modelo de desenvolvimento que na época ninguém entendia. Hoje, temos 88% de floresta conservada”, dizia Binho, na última quinta-feira, em Copenhague.
Mas a vitória dos ideais de Chico Mendes no Acre não foi barata. Custou-lhe a própria vida e a vida de muitos companheiros que, com ele, caminhavam firmes e decididos na floresta para fazerem, muitas vezes, dos próprios corpos escudos para evitar que os dentes afiados das motosserras derrubassem árvores de até 300 anos.
Nas homenagens que o Acre prestará mais uma vez a Chico Mendes nesta terça-feira, 22 de dezembro, data em que ele foi covardemente assassinado há 21 anos em Xapuri, o Página 20 começa a publicar hoje a íntegra de cartas inéditas que o sindicalista acreano escreveu para um companheiro de lutas sindicais que ele conheceu em 1980 em Campinas, no interior de São Paulo.
Trata-se do sindicalista aposentado João Rocha, paulista de ... anos, atual presidente do PT de Caraguatatuba (SP), que conheceu Chico Mendes quando este esteve em Campinas proferindo palestra sobre a sua luta pela floresta a convite das Comunidades Eclesiais de Base, da Diocese do município paulista.
“Chico era visionário. Ele dizia que, se não houvesse resistência dos seringueiros, eles iriam ser tocados da floresta e esta viria abaixo. Com coragem, humildade e altruísmo, ele confessava que corria risco, mas não arredava o pé da luta”, diz Rocha, que enviou cópias das sete cartas que Chico Mendes endereçou a ele, entre 1980 a 1983, para o senador Tião Viana, pedindo que elas fossem publicadas.
Leia, nesta página, a primeira das cartas escritas por Chico em 16 de junho de 1980, quando ele fala da tensão presente no movimento sindical que antecedeu o assassinato, no mês seguinte, em 21 de julho, de Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia.
Na primeira carta, a reação dos seringueiros
Xapuri – Acre, em 16 de junho de 80
Companheiro João, cheguei no Acre no dia 9 do corrente fazendo boa viagem. Ao chegar aqui, entrei logo em ação pois a situação aqui está muito séria. Os seringueiros resolveram dar um basta a tanta ameaças dos grandes fazendeiros, que querem a qualquer custo acabar com nossa floresta.
Neste momento, os trabalhadores organizados em seus sindicatos resolveram defender a qualquer custo a terra que eles ocupam há dezenas de anos e vários conflitos estarão ocorrendo nestes dias em vários lugares por aqui.
O movimento dos trabalhadores está avançando, enquanto isso os fazendeiros – segundo informações – estão comprando metralhadoras para dar combate contra os posseiros. Por outro lado, os posseiros afirmam que a morte de qualquer um companheiro resultará num grande conflito.
Eu, neste momento, estou me preparando para visitar as áreas mais perigosas. Fui aconselhado por alguns companheiros para não entrar nas áreas, mas me sinto na obrigação de estar ao lado daqueles companheiros que lutam por liberdades, embora lhes custem a vida, e preciso ajudá-los em alguma coisa.
João, espero que o trabalho de vocês esteja indo em frente, um forte abraço. Do companheiro Chico Mendes.
Assessoria de Comunicação do gabinete do senador Tião Viana PT/AC (Romerito Aquino)







